Momento pipoca com refrigerante

Em uma conversa com uma amiga, surgiu o assunto cinema. Não demorou muito para que três filmes: Bagdá Café, O Carteiro e o Poeta e Neruda, imediatamente, saltassem em minha caixa craniana como se eles tivessem vontade própria. E, na verdade, eles merecem mesmo a proatividade, porque são fitas que merecem fácil o saco de pipoca com guaraná e a certeza de que vale a pena cada som da mastigação.

Filme O Carteiro e o Poeta sucesso de 1994

São produções dos anos 1987, 1994 e 2016, porque mostram que ainda tenho cérebro! Oba! Porém apresenta também que a ligeireza do tempo é voraz e, claro, deixa marcas não ainda na memória, felizmente, mais no meu couro cabeludo, que já não é tão cabeludo assim.

É o que mostra o vidro polido e metalizado que reflete a luz e reproduz a imagem dos objetos colocados diante dele; o nosso bravo espelho, no caso a minha careca. Meu Deus! Mas o assunto é cinema. E O carteiro e o Poeta, produzido 1994, é um belo filme. Não gosto de assistir duas vezes a mesma produção, porém para essa fita me rendi e a observei no cinema e depois em casa. Não me arrependi e aplaudi duas vezes.

Para os mais jovens, que nunca ouviram falar do Carteiro e o Poeta, lembro que a história gira em torno de razões políticas. O poeta chileno Pablo Neruda, interpretado pelo ator Philippe Noiret, se exila em uma ilha na Itália, onde mantêm contato com um desempregado quase analfabeto, interpretado pelo ator Massimo Troisi. Esse homem simples é contratado como carteiro extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta.

Entre os dois se forma uma sólida amizade, sendo que o carteiro solicita e recebe a ajuda do poeta a fim de conquistar o grande amor da vida dele, Beatrice, interpretada pela atriz Anna Pavignano. Quer saber mais? Procure assistir ao filme, ou leia o livro. Vale a pena.

Quanto ao Bagdá Café, com produção em 1987, é um filme instigante, provocante e provocativo. Tudo começa numa estrada localizada no meio do deserto de Mojave, entre Las Vegas e a Disneylândia, Estados Unidos. É nessa parte do mundo que encontra-se um lugar estranho chamado Bagdá Café.

Vamos combinar que é um misto de lanchonete e hospedaria. É nesse local que chega a alemã Jasmim, interpretada pela atriz Marianne Sägebrecht, depois de rolar o maior barraco com o marido. Inicialmente, ela desperta suspeitas na dona do local, a geniosa Brenda. Porém aos poucos vai conquistando a simpatia dos clientes e dos hóspedes do Bagdá Café, como Debby, vivida pela atriz Christine Kaufmann, misteriosa mulher que faz tatuagens, e Rudy Cox, apresentado em excelente estilo por Jack Palance, ex-ator de Hollywood e em crise.

Com habilidade, sensibilidade, talento e tempo, Jasmim transforma o Bagdá Café num lugar, digamos, mágico, onde cada um pode ser feliz à sua maneira. E não é por mero acaso que Bagdá Café é um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema europeu em todos os tempos.

Neruda em cartaz no Espaço Itaú de Cinema

A direção é do renomado cineasta alemão Percy Adlon, autor dos ótimos Estação Doçura, Rosalie Vai às Compras e Escrito nas Estrelas. A música tema, "Calling You" cantada por Jevetta Steele, foi indicada ao Oscar de melhor canção original. Aclamado por crítica e público, Bagdá Café é um dos cult-movies dos anos 1980.

A história do poeta Pablo Neruda está em cartaz na tela grande do Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo. O poeta do amor com intensa participação política recebeu em outubro de 1971 o Prêmio Nobel de Literatura. O enredo do filme gira em torno da atuação do final da década de 1940, quando Neruda passa a ser perseguido por um inspetor.

Pablo Neruda, na condição de senador, atacou o presidente chileno González Videla e denunciou tudo o que estava acontecendo com centenas de presos e perseguidos. Não é difícil concluir que o poeta acabou se tornando mais um dos perseguidos. Haja poesia para se livrar do faro do policial.

Por tudo isso, o que você está fazendo que ainda não foi procurar Bagdá Café e o Carteiro e o Poeta, ou curtir a tela grande com a recente produção em cartaz? Com menos pipoca e guaraná para aproveitar chegou a hora de acender a luz do salão. Até a próxima sessão!!!!

Crônica: Fernando Fraga, jornalista.